Carlo Ancelotti repetiu por várias vezes, antes da Copa do Mundo, a seleção jogaria sempre com quatro defensores, dois meio-campistas e quatro atacantes. E essa formação acompanhou todo esse ciclo, resistindo a questionamentos e as primeiras baixas por lesão. Segundo a matéria de Uol, bastou o torneio entrar na reta decisiva para o técnico encontrar justamente aquilo que evitou construir durante um ano.
Ancelotti pouco conhecia do futebol brasileiro quando assumiu a seleção. A sua primeira convocação teve forte influência de outros nomes da CBF. Ele foi moldando o elenco com suas convicções aos poucos, mas sempre com o objetivo de criar um ambiente para o Vinícius Junior ter o máximo de liberdade para decidir as jogadas.
Foi isso que acabou determinando praticamente todas as escolhas do treinador. O sistema variava, as vezes, dentro do campo, entre um 4-2-4 com a bola e um 4-4-2 na fase defensiva. Ancelotti nunca abriu mão da estrutura com quatro atacantes.
Esse desenho influenciou até a montagem da lista para a Copa do Mundo. Foram nove atacantes, e apenas cinco meio-campistas. E o treinador o tempo todo foi questionado sobre a possiblidade de outras formações táticas, mas para ele o Brasil jogaria com quatro atacantes, dois meio-campistas e quatro defensores e ponto final.
Ancelotti entendia que o Brasil continuava produzindo atacantes em abundância e acreditava que esse era o principal diferencial técnico da seleção. Porém, ele também via carência nas laterais. Foi então a ideia de transformar um zagueiro em lateral direito. O problema é que o modelo não testava qualquer plano B. Com as lesões, a estrutura projetada pelo técnico começou a mostrar suas limitações. Ainda sim, Ancelotti insistiu na ideia.
O desempenho do Brasil mudou quando três meio-campistas passou a atuar na etapa final contra o Panamá. O rendimento chamou atenção da comissão técnica e houve conversas entre os líderes do elenco e o treinador defendendo um novo teste com essa configuração.
Ancelotti fez o teste contra o Egito e gostou do funcionamento da equipe. O problema agora seria justamente por causa da própria lista de convocados. Com apenas cinco-campistas, as opções para sustentar esse modelo eram reduzidas.
Mas uma lesão acabou mudando os planos. Wesley precisou ser cortado e, em vez de chamar outro lateral, Ancelotti convocou Ederson, reforçando justamente o setor que até então havia sido deixado em segundo plano.
A mudança consolidou uma transformação silenciosa, e o Fama Show ainda afirma, com isso, aos poucos a seleção brasileira está reconquistando a confiança da torcida sobre sua capacidade para ir até a final dessa Copa do Mundo. O Brasil iniciou o torneio com três meio-campistas.
O treinador encontrou um funcionamento que oferece maior controle do meio-campo sem abrir mão da velocidade pelos lados, algo que a comissão técnica passou a considerar fundamental para a fase eliminatória.
Ás vésperas do mata a mata, Ancelotti chega à conclusão de que o time ideal é diferente daquele que imaginava durante praticamente todo o seu primeiro ano no comando da seleção.
“Estamos nos preparando para jogar o melhor que podemos. O nosso objetivo não é jogar bem, é ganhar. O técnico só é julgado se ele ganha ou não. Não interessa se a gente jogou bem ou não. Se ganharmos a Copa do Mundo, jogamos bem. Senão, jogamos mal”, afirmou o treinador.
Fonte: Uol
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